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Uma mãe da saúde pediátrica

11/01/2020

Sempre tive muita certeza da minha escolha profissional, principalmente depois que conheci a área da pediatria, a qual desde a minha graduação venho atuando e me especializando. Quando cheguei no momento de retornar ao trabalho, pós licença maternidade, meu filho tinha 10 meses. Na verdade tive o privilégio de conseguir estender um pouquinho mais o meu tempo dedicado exclusivamente pra ele, do que a maioria das mamães trabalhadoras. Mas esse retorno, embora ele já tivesse maiorzinho, não foi fácil. Não somente pela distância e pelo tempo longe dele, mas principalmente por ter que então trabalhar e negociar dentro de mim ser mãe e enfermeira assistencial de uma UTI Pediátrica de alta complexidade.

Não vem ao caso aqui relatar casos que vejo e vivencio no meu trabalho, mas tenham certeza que sim, existem vitórias, alegrias, superações, mas também muita tristeza, impotências, revoltas e muita dor. Sempre acreditei que o envolvimento sadio e a empatia, são imprescindíveis na minha profissão. É impossível fazer um cuidado humanizado sem por um momento se colocar no lugar do paciente ou da família. O problema é quando a gente se coloca o tempo todo do outro lado, se enxerga naquela situação, e sente tão intensamente tudo isso que o medo acaba andando do nosso lado, onde quer que a gente esteja.

Medo, muito medo de viver o que as mães dos meus pacientes vivem. A cabeça tem dias que não para, é só pensamento bobo e ruim. Com certeza não sou hoje a mesma profissional que era antes da maternidade. Melhor, pior? Não sei! Diferente. Mais frágil, mais indignada, mais envolvida com às famílias, extremamente carinhosa com os pacientes, paciência em dobro, atrapalhada com meus sentimentos, talvez menos ágil. Cuido ao máximo pra que isso não venha a tona enquanto estou com meu filho, ou quando ele tem alguma virose, uma alergia. E confesso que exponho e converso muito pouco sobre esse assunto na tentativa de não alimentar o medo. Por isso trago aqui um tanto dessa luta interna minha. Acredito que vou amadurecer ainda nesse aspecto, e que um dia saberei conciliar essas duas partes de mim!

Por Clarissa Pitrez Abarno, mãe do Joaquim

 

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