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Efeitos do estresse durante a gestação e puerpério sobre o desenvolvimento do bebê

11/01/2021

Para que nossos filhos se desenvolvam de forma saudável é preciso que tenhamos relações e laços afetivos de qualidade entre nós e o pai (ou quem o substitui) e nosso filho já desde a vida intrauterina. Pesquisadores afirmam que o feto sente emoções e estimulações sensoriais e as memoriza (ANAUATE & GLOZMAN, 2017). Apesar desta memória do bebê ainda na barriga da mãe não poder ser evocada por ele em termos de discurso após o nascimento, ela o influenciará ao longo de sua vida de forma significativa em seu desenvolvimento e em suas relações. 

O simples pensamento da mãe faz com que ela sofra alterações fisiológicas que são percebidas e memorizadas pelo bebê em seu ventre.  Cada emoção produz alterações químicas (liberação de hormônios e neurotransmissores) diferentes em nosso corpo. Essas substâncias químicas que nosso corpo produz irão agir de forma e em áreas distintas em no cérebro favorecendo ou colocando em risco o desenvolvimento neurológico do bebê.

Pesquisas sugerem que ocorrem modificações importantes no sistema neuroendócrino e comportamental dos bebês que sofrem estresse e privação no começo do desenvolvimento (ANAUATE & GLOZMAN, 2017).  Essas experiências iniciais influenciam o crescimento do cérebro. Experiências de afetos positivos, relacionadas com prazer e segurança, aumentam as comunicações sinápticas (circuitos cerebrais que tornam possível o desenvolvimento de diferentes habilidades).

O corpo do bebê sente os efeitos da depressão materna no pós parto. Foi identificado aumento dos níveis de cortisol (hormônio relacionado ao estresse) na saliva de bebês de mães deprimidas, bem como aumento da frequência cardíaca e maior ativação do lobo frontal direito, que é uma região do cérebro associada com emoções que refletem privação afetiva (ANAUATE & GLOZMAN, 2017).

Não é exagero, portanto, dizer que a estimulação do desenvolvimento saudável de nossos filhos deve começar, pelo menos, desde o início da gestação. Além dos cuidados físicos realizados no pré natal, é importante cuidar das nossas relações e saúde emocional.  

Desde o desejo de engravidar o casal pode adotar as medidas a seguir para auxiliar no desenvolvimento saudável de seu filho:

  • Abster-se de álcool e outras drogas;

  • Realizar exercícios físicos;

  • Manter alimentação saudável;

  • Cultivar um relacionamento amoroso entre o casal e deste com o feto;

  • Ouvir músicas agradáveis;

  • Realizar práticas terapêuticas (relaxamento, pilates, meditação, pré natal psicológico);

  • Ingerir ácido fólico sob orientação médica;

  • Conversar baixinho com o feto, contar suas atividades e cantar para ele;

  • Acariciar o ventre com ternura.

A história de desenvolvimento de nosso filho começa desde o momento de sua concepção, ou até mesmo antes dele. Devemos aproveitar as descobertas da ciência e os recursos que temos disponíveis para realizarmos a prevenção a transtornos e outros agravos à saúde de nossos filhos.

Referência: ANAUATE, Carla; GLOZMAN, Janna (Org). Neuropsicologia aplicada ao desenvolvimento humano. São Paulo: Memnon, 2017.

Por Gisele Silva Corrêa, Neuropsicóloga e mãe do Apolo.

Para conhecer mais o trabalho da Gisele é só acessar o instagram @giseleneuropsicologa.

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