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O que te faz feliz?

03/11/2019

Meu nome é Tiandra Maino Saraiva de Lima, sou natural de Pelotas/RS, tenho 39 anos, sou casada com o Rafael há 14 anos e tenho duas filhas, Gabriela de 11 anos e Giovana de 9 anos.

Tudo começou lá em 1987 quando tinha 6 anos e perdi meu pai para o 7º infarto. Minha mãe criou eu e meu irmão, na época com 12 anos, sozinha e com muita luta e coragem.  O que mais escutamos foi que seriamos duas crianças perdidas, que nunca chegaríamos em lugar algum. 

Na época, minha mãe demorou mais de 6 meses para receber a pensão do meu pai, e durante todo este tempo fomos sustentados por parentes. 

Quando eu tinha 9 anos, após a morte da minha vó, minha mãe voltou a trabalhar e eu tive que cuidar da casa e da comida. 

Com 14 anos comecei a trabalhar como manicure das vizinhas e vender biju, para ter alguma grana e assim ajudar em casa e poder adquirir as minhas coisas. 

Me formei no 2º grau e fiz vestibular para a Escola Técnica Federal de Pelotas, passei para o curso Técnico em Edificações e já no primeiro semestre passei na seleção para bolsista do curso. No primeiro mês de trabalho meu professor me convidou para trabalhar na Construtora dele como estagiária, então eu trabalhava pela manhã com ele, estudava a tarde e era bolsista a noite. Neste momento, liguei para a minha mãe e falei que ela poderia parar de trabalhar, pois agora eu pagaria as nossas contas de casa e ela poderia viver com a pensão somente para ela.

No segundo semestre, ele pediu que ficasse o dia todo com ele na Construtora, então comei a estudar a noite. Lá eu fazia a folha de pagamento, os projetos das obras e acompanhava a execução das obras. Assim fiquei até me formar no curso, quando ele assinou a minha CTPS. Nesta mesma época, por uma tempestade de vento, tivemos um desastre na obra o que quebrou a empresa onde eu trabalhava. Neste momento, conversei com a minha mãe e vim tentar a vida em Porto Alegre. 

Cheguei em Porto Alegre no sábado dia 22/Março/2002, e no domingo comprei a Zero Hora (na época a gente procura emprego assim... kkkk), na segunda fiz uma entrevista em um escritório de arquitetura e na terça comecei a trabalhar como cadista. Fiquei lá por 1 ano até passar no processo seletivo da TV Pampa e assim retornar ao RH. De lá, fui para um escritório de contabilidade, onde voltei a trabalha com RH para uma construtora e por ai foi. Casei, fiquei grávida da Gabi, depois da Gi. Nunca parei para tirar as licenças maternidade, pois achava que meu trabalho era muito mais importante do que qualquer outra coisa (simmmm.. eu pensava assim...) Passei por uma Construtora de Médio Porte, onde fiquei 5 anos e tive muitas oportunidade de crescimento pessoal e profissional, la me formei na faculdade.

Em Agosto de 2014 recebi uma proposta para ir para uma Construtora de Grande porte com atuação em todo o Brasil. Lá eu me dediquei, muito, mas muito mesmo. Muito mais do que eu deveria, muito mais do que eu poderia. Lá eu conheci todo o Brasil, lá eu ganhei muito dinheiro, lá eu descobri o quanto foi difícil perder a minha mãe, a pessoa que sempre foi a minha base para tudo, a pessoa que criou as minhas filhas, que vivia para somente para nós. 

Lá eu também descobri o quanto ser mãe era difícil, pois eu não sabia e nem imaginava quanto de trabalho se tem para criar um filho, trabalhar, ser esposa e cuidar da casa.

Fiquei por 4 anos, sendo que no ultimo ano, eu só via as minhas filhas pela manhã e as vezes nos finais de semana que eu não trabalhava ou que não estava viajando. Fiquei paranoica, stressada. Quase perdi tudo que eu ainda tinha, meu casamento e minhas filhas. 

Em Novembro/2018 fui demitida da empresa que ficava em Ivoti/RS.  A família empresária me contratou para trabalha para eles no mesmo dia que fui demitida, por um valor bem menor do que eu recebia lá.

Neste dia eu pensei que ia morrer, ate pensei em me matar, mas quando eu cheguei em casa e fui recebida por quem realmente me amava, meu marido e minhas filhas, FELIZES E COM SORRISÃO LARGO, me perguntando se era verdade que nunca mais eu precisaria ir para Ivoti, ficar no telefone até tarde e viajar durante a semana para fora do estado. Meu coração acalmou!!

Quando falei que não teria mais dinheiro para a nossa vida de shopping e a resposta foi, NÓS NÃO QUEREMOS O TEU DINHEIRO E SIM A TUA PRESENÇA, cai no choro e meu coração se encheu de amor! Percebi que nada do que eu fazia com o dinheiro antes tinha valor, que era mais valioso eu em casa com eles do que o dinheiro no banco.

Neste momento eu decidi por eles e para eles para sempre.

Durante este ultimo ano, mesmo trabalhando (fora da minha área), fiquei por 6 meses tentando a recolocação profissional na minha área de RH, o que não foi possível. Então comecei a pensar em outra coisas, precisava trabalha com algo que me fizesse feliz como eu era com o RH. 

Fiz um curso de Pericia Judicial Grafotecnica, me formei e comecei a me inscrever nos tribunais. 

Em Julho/2019, começamos a pensar sobre o que fazer para o aniversário da Gabi, minha filha mais velha. Tinha que ser algo que eu mesma produzisse para reduzir o custo. Foi então que meu marido teve a ideia de a gente fazer um café colonial, onde eu poderia produzir alguns bolos e pães em casa mesmo. Foram 2 meses de testes e mais testes.

Em 08/Setembro/2019 a gente montou o café para a festinha da Gabi. Foi sucesso! As pessoas elogiaram demais e ficaram me falando que eu deveria seguir isso como profissão. Pensei muito sobre isso e percebi que cada vez que eu entrava na cozinha, tudo ficava lindo e eu ficava muito feliz! 

Em 16/Setembro/2019 pedi demissão e fiquei com família empresaria até 31/Outubro/2019.  

Hoje eu vivo exclusivamente para a minha família e para os meus bolinhos. 

Quem foi a minha maior inspiração? Minha mãe

Que foi o meu maior incentivador? Meu marido! Ele é o cara que me apoia, que me levantou e que esta do meu lado em qualquer circunstancia.

É fácil viver só de bolinhos? Não nada fácil! 

Tem dias que tu te sente perdida? Sim, muitos!

E mesmo assim tu não pensa em desistir? Não! 

Por que? Porque, eu tenho coisas que valem mais do que qualquer conta bancária cheia de dinheiro. Descobri que o dinheiro custa muito caro!

Tenho raiva de quem te demitiu? Nao! Se eu pudesse eu daria uma abraço de agradecimento

Vivo com muito menos  e com muito mais amor no coração!

Para a gente ser feliz a gente não precisa ser rico, a gente precisa ter objetivo para correr atras do nosso sonho e do que nos faz feliz! O dinheiro é consequência!

Não desistam! Sejam fortes e principalmente, tenham pessoas que te amam e te apoiam sempre ao lado!

Por Tiandra Maino, mãe da Gabi e da Gi

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