topo

Da fertilização à gravidez gemelar

13/09/2021

Eu decidi me afastar do trabalho com 8 semanas pelo risco de perdê-los. Eu tinha também um problema imunológico e tinha que tomar imunoglobulina nos três primeiros meses (falei mais sobre isso no texto anterior), então a minha gravidez era considerada de risco. 

A gestação foi tranquila até 24 semanas quando começaram as contrações de treinamento. Fiquei hospitalizada até 29 semanas, com idas e vindas ao hospital semanalmente. Foi quando no dia em que eu receberia alta, iniciei com dores abdominais horríveis, sem explicação. 

Começou-se ali um novo capítulo na minha vida. 

O único exame que eu podia realizar grávida era uma ressonância. Nela constou um cisto hemorrágico e sangue na cavidade abdominal, então suspeitou-se que o cisto havia se rompido parcialmente. Lá vamos nós então para uma cirurgia aberta com eles dentro da minha barriga. Não preciso nem dizer para vocês o medo que eu senti naquele momento. Como isso seria possível?

Essa cirurgia foi realizada na sexta à noite. Lembro-me de acordar e o médico me dizer que haviam retirado todo o sangue do meu abdômen, mas que não haviam conseguido chegar no cisto, devido os bebes estarem na frente dele. A partir daquele momento deveríamos aguardar, ver como eu reagiria e torcer para que as contrações não voltassem.

Infelizmente a dor abdominal continuou, eu não conseguia mais nem respirar de tanta dor. Minha obstetra não saiu de perto de mim desde o dia da cirurgia na sexta à noite. Lembro-me de ter passado o dia do sábado com ela ao meu lado me pedindo para comer algo. 

Naquela madrugada, ela me deu uma medicação na veia (não era aquela para amadurecer os pulmões, era uma outra para o cérebro dos bebes) e que doía de uma forma absurda. Segundo ela, se fosse aplicada por um enfermeiro eu não aguentaria, então ela ficou ali me aplicando muito que lentamente até as 5h da manhã. Naquela noite tenho certeza que ela não dormiu, pois as 8h ela já estava de volta. 

Minhas dores continuaram, eu estava sem me alimentar, os batimentos dos meninos já não estavam lá essas coisas e naquela manhã fomos para a ecografia novamente. Recebi uma aplicação de glicose para ver se os bebes se movimentavam mais, mas para a nossa surpresa havia mais sangue na parte interna da minha barriga. Meu exame de sangue também acusou uma grande baixa de hemoglobina, ou seja, eu estava tendo uma hemorragia interna. 

Naquele momento meu marido foi chamado e avisado que o parto teria que acontecer. Ao saber disso, eu disse que “não, eu aguentaria!”. Não queria que eles nascessem. Minha doce obstetra me disse que isso não seria possível, eles teriam que nascer. 

Posso dizer para vocês que tudo isso foi tão irreal e muito longe do que eu havia idealizado para esse momento. Nunca senti tanta dor, só o oxigênio mesmo para me manter respirando.

Os meninos nasceram...

Infelizmente eu mal lembro de ter visto um deles. Depois disso, eu fui sedada e não lembro de mais nada. Não lembro nem de como eu fui parar no quarto.

Eu estava mega inchada, nem uma calcinha servia em mim. Os pés então...não entrava nem no chinelo mais largo da face da terra. E para contribuir, um dreno amarrado ao meu abdômen para tirar e acompanhar a hemorragia.

Agora era a hora de conhece-los, ir até a UTI NEO ver meus filhos. 

E a coragem?

Por Letícia Salomão, Mãe de Arthur e Rafael.

postagens anteriores

Hormônios de Sono

22/09/2021

O sono é uma necessidade do organismo como qualquer outra e tem importantes funções como desenvolvimento cerebral,...

Ler mais

Encorajando o desenvolvimento da linguagem

20/09/2021

Desde pequenos podemos estimular e encorajar a comunicação com nossos filhos seguindo os passos abaixo:

Converse com seu...

Ler mais
Olá, precisando de ajuda? Tire suas dúvidas conosco!